
As oportunidades do hidrogênio verde (H2V) para o Ceará foram tema da reunião da Câmara das Energias do Ceará, da Fecomércio. O evento, que aconteceu nesta terça-feira (11/06), na sede da instituição, contou com palestra do consultor em energia da Federação das Indústrias do Ceará (FIEC), engenheiro mecânico e eletricista, Jurandir Picanço. A Câmara das Energias compõe as Câmaras e Conselhos Empresariais (CACE) da Fecomércio Ceará e tem a missão de articular ações e apoiar o setor da geração, distribuição e comercialização das energias no Estado.
Em sua apresentação, Jurandir Picanço fez um panorama sobre as energias renováveis no Brasil e no mundo, iniciando com um paralelo sobre a importância desta modalidade diante de tantos eventos drásticos ligados ao aquecimento global acontecendo no mundo. Segundo ele, 73% dos gases de efeito estufa são provenientes do setor de energia. “Para conseguirmos alcançar a redução das emissões, temos que começar no setor de energia”, alerta.
O consultor de energias da FIEC destacou que o Brasil possui um potencial gigantesco em energias renováveis, principalmente eólica e solar. “Na solar fotovoltaica, por exemplo, sabemos que o nosso pior local no Brasil ainda é melhor do que o melhor local na Alemanha, que é muito desenvolvida nessa área”, disse. Com matriz 45% renovável, o Brasil se diferencia no cenário mundial, que possui matriz média 14% renovável e, quando se trata de energia, esse percentual da matriz brasileira sobe para 83%, segundo ele.
O especialista explicou ainda os tipos de hidrogênio (cinza, azul e verde) e suas potenciais emissões de gases, destacando os estudos de instituições como Bloomberg, Irena, Mckinsey, World Hydrogen Leader, Instituto Fraunhofer, entre outros, que apontam as competências do Brasil para o desenvolvimento da indústria do H2V e sua cadeia produtiva de valor. Picanço revelou que o País tem muitas oportunidades de acelerar o desenvolvimento sustentável, tornando-se um líder nesse setor e também um vanguardista na descarbonização e transição energética. “Com o desenvolvimento tecnológico, o custo de produção do hidrogênio verde vai ser tão competitivo quanto o cinza, tornando-se uma realidade”, disse.
Para que o Brasil avance e os projetos que estão previstos para o Ceará, concentrados no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), mudem de fase, Picanço ressaltou a necessidade do marco regulatório do setor, que está em tramitação no Congresso Nacional, ser aprovado para dar segurança aos investimentos que já foram anunciados e estão na fase de projetos. “A nossa expectativa é que isso aconteça até o final deste mês, no mais tardar em julho”, disse.